O PAPEL DO EMPÁTICO NO REALCIONAMENTO ABUSIVO - Parte 1
Abusadores estão sempre apoiados em pessoas empáticas ao longo da vida, e não é à toa: costumam sugar e tirar o que consegue do outro, enquanto o empático costuma se auto sacrificar pelo outro e ter problemas em dizer não. Essa dinâmica é sempre assimétrica, onde a pessoa empática adoece para servir de apoio a alguém que a quer adoecida e fragilizada para nutrir sua insegurança e seu senso de superioridade insaciável.
O importante é entender que o
ciclo de abuso emocional funciona não só porque uma das partes é narcisista,
mas sim porque uma é narcisista e a outra, a vítima em potencial do abuso
narcisista é, comumente, uma pessoa empática, permissiva e codependente.
Sabemos que determinadas dinâmicas
de trocas emocionais na infância costumam se repetir na vida adulta com facilidade
por conta da sensação de familiaridade que elas provocam no indivíduo antes
mesmo que este se dê conta desses padrões.
A pessoa empática comumente foi
uma criança que cresceu num ambiente narcisista, e a sua vulnerabilidade
explorada desde cedo por relações narcisistas familiares costuma deixá-la com
muitos pontos cegos em relação ao abuso e ao que é aceitável e inaceitável nas
relações interpessoais.
Sem a pessoa empática e
permissiva, o abusador emocional não tem como atuar. A vítima tem um poder
enorme para interromper o ciclo, mas não percebe isso quando está dentro da
relação e reproduzindo a mentalidade do empático permissivo: tentando agradar,
com medo de confronto, duvidando de si mesma, assumindo culpas que não são
suas, permitindo que lhe tratem mal, etc.
O abusador narcisista, sempre
precisará se apoiar em pessoas que permitam que eles mantenham o ciclo abusivo,
e são estas pessoas que apresentem características empáticas e permissivas.
Os chamados empáticos, são
marcados por certas características e costumam ter dificuldade para validar
suas próprias necessidades, desejos e limites, colocando o outro em primeiro plano.
É muito tentador, principalmente
para uma pessoa empática que tem dificuldade de olhar para si mesma, focar apenas
no abusador, demorando para se reconhecer como peça-chave da engrenagem do
ciclo abusivo, no qual facilmente se vê identificada com o papel de vítima.
Os danos que um relacionamento
como esse pode causar para a vítima de abuso emocional são inúmeros: baixa
autoestima, um constante duvidar de si, autossabotagens, doenças
psicossomáticas, paranoia, depressão, sentimentos de tragédia eminente cíclicas
por conta de medo e ameaças do abusador, um “pisar em ovos”, sentimentos de
inadequação, além de uma montanha russa emocional bem característica de uma
relação abusiva que costuma oscilar entre picos de adoração e rejeição.
Nenhuma vítima de abuso emocional tem culpa do abuso, não se trata disso, e sim de, uma vez consciente desses mecanismos, responsabilizar-se pela própria saúde emocional para tornar esse abuso menos possível. Trata-se de se fortalecer a partir de uma visão acertada de si (o que, para muitos, significa aprender a retornar o olhar para si, depois de anos ou décadas agindo em torno das necessidades e expectativas externas). Da mesma maneira que comportamentos de codependência podem ser construções incentivadas pelo meio, estes também podem ser desconstruídos na medida em que outro tipo de comportamento é buscado.
Em relacionamentos de abuso
emocional é fundamental não se culpar ou se cobrar de mais. Você faz o melhor
que consegue para se desvincular dessa situação. Ao entender suas
características, você conseguirá avaliar que nível de relacionamento é possível
ou impossível, a partir daí, poderá viver de acordo com sua natureza mais
profunda, em vez de estar sempre focando em quem se recusa a mudar.
Em relacionamentos de abuso
emocional é fundamental não se culpar ou se cobrar de mais. Você faz o melhor
que consegue para se desvincular dessa situação. Ao entender suas
características, você conseguirá avaliar que nível de relacionamento é possível
ou impossível, a partir daí, poderá viver de acordo com sua natureza mais
profunda, em vez de estar sempre focando em quem se recusa a mudar.
(Extraído
da obra de Juliana Siqueira - O PAPEL DO
EMPÁTICO NO REALCIONAMENTO ABUSIVO - Publicação independente, Brasil: SP, 2018.)

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