Pessoas que tiveram pais narcisistas geralmente apresentam esse comportamento quando crescem,
O narcisismo, ou Transtorno De Personalidade Narcisista, é uma condição em que a pessoa apresenta algumas características únicas: (1) um senso exagerado de egocentrismo,(2) uma preocupação excessiva consigo mesma, (3) uma falta de empatia pelas outras pessoas, (4) um provocador de caos e conflitos, tornando os ambientes tóxicos...
O termo se
popularizou bastante — há quem diga que estamos vivendo uma epidemia de
narcisismo nas sociedades ocidentais modernas.
No
entanto, muitas vezes ele é usado de forma equivocada para descrever alguém que
é apenas egoísta.
O Narcisismo é
um transtorno mais profundo e destrutivo, com efeitos devastadores sobre quem
convive com a pessoa, como seu parceiro (a) ou filhos.
Ser criado
por Pais Narcisista é emocional e psicologicamente complexo, e gera efeitos nas
crianças que não se manifestam apenas na infância. Esses impactos também podem
ser percebidos em comportamentos que surgem na vida adulta — e que, muitas
vezes, representam o oposto do narcisismo: o egoísmo.
O egoísmo como resposta à educação narcisista
Filhos de narcisistas podem ter maior
probabilidade de desenvolver problemas de saúde mental, como ansiedade,
depressão e transtornos de personalidade diversos, mas também podem desenvolver
egoísmo, um traço de personalidade que decorre de sua baixa autoestima ou
constantes sentimento de culpa. Estas são apenas algumas das consequências
comuns de crescer com pais narcisistas.
O egoísmo é a
ausência de um “narcisismo saudável” — uma fuga completa de tudo o que possa
ser interpretado como narcisista, mesmo que de forma equivocada.
Pessoas
egoístas estão focadas em satisfazer as necessidades dos outros, evitando ao
máximo considerar as próprias necessidades, se colocam sempre para depois. São
aquelas que não conseguem expressar seus desejos e pensamentos, que rejeitam a
atenção e fazem de tudo para não serem um peso para ninguém.
São
extremamente empáticas, mas incapazes de impor limites. São incapazes de dizer NÃO.
Não se veem como merecedoras de atenção ou
amor, e acreditam que suas necessidades não têm importância. São sempre
disponíveis, pau para toda obra.
Com frequência,
assumem culpas que não são suas e se criticam constantemente. Acreditam que a
felicidade dos outros importa — mas a delas, não.
Aprenderam
desde muito cedo que obedecer, estar disponível é fundamental, não podem ter
iniciativa ou criatividade, porque serão criticadas ignoradas ou
ridicularizadas, e se não fizerem direito seja lá o que lhes foi imposto, serão
humilhadas ou castigadas, mesmo que não saibam o que ou como fazer.
O egoísmo
é uma resposta traumática à exclusão e ao abandono. Essas pessoas se convenceram
de que suprimir suas próprias necessidades é a única forma de serem amadas.
Como era de se
esperar, o egoísmo costuma surgir por medo de parecer narcisista ou como um
mecanismo de autoproteção. Muitas vezes são passivos agressivos ou têm
explosões de temperamento, e depois se culpam pelo comportamento, porque isso
significa que irão perder o apresso que conquistaram com sua passividade,
disponibilidade e bom comportamento
Diferente
do Transtorno De Personalidade Narcisista, o egoísmo não está listado no DSM-5.
Ainda assim, especialistas o reconhecem como um padrão de comportamento
relevante, que pode impactar significativamente os relacionamentos e o
bem-estar emocional de uma pessoa.
Embora
as pesquisas sobre a origem do egoísmo ainda sejam limitadas, já existe uma
percepção de que crescer com cuidadores narcisistas pode ser um fator
significativo no desenvolvimento de traços egoístas —
Crescer
com pais narcisistas pode ser traumático devido ao comportamento disfuncional
que apresentam, e, as experiências vividas durante a infância podem influenciar
no desenvolvimento de certos traços de personalidade.
No entanto,
isso não significa que estamos condenados a ter uma vida infeliz. É possível
sobreviver e levar uma vida saudável mesmo após ser criado por um pai ou mãe
narcisista.
Mas tudo começa
com o reconhecimento do que aconteceu na infância e com o pedido de ajuda a
profissionais que podem orientar no processo de cura e reconstrução, e, também
procurando conhecimento, não só de si, como da família em que nasceu e cresceu.
O
reconhecimento da infância com pais narcisistas, não significa que deva
odiá-los, guardar mágoas ou mesmo rancor, significa se libertar das amarras que
lhe foram imposta desde muito cedo, questione a sua dor, se pergunte se o que você pensa, sente ou suas ações, fazem sentido pra você hoje. Não pense limitado aos dogmas, pense de forma mais ampla.
CONCLUSÃO:
O egoísta tem empatia, não quer o mau do outro, mas o bem de si, e por isso tudo o que ele faz tem uma "fatura embutida", espera a recompensa, se mágoa e faz mais, mais e mais, se torna refém do "afeto", do outro.
O narcisista faz o outro seu refém.
Nos próximos textos falarei sobre Nasismo Parental. Até lá.
Sirlene Sousa
Psicanalista e Psicoterapeuta
Wzap - (62) 9 85877335
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