Isso se chama PROCRASTINAÇÃO.





O “deixar pra lá”, deixar pra depois, mais tarde eu faço e se puder… bem mais tarde. Cria uma reação em cadeia que termina em ansiedade, reclamações e atrasos porque nossa mente sabe que temos essa ou aquelas pendências e colocamos mais uma corrente de coisas mal resolvidas nas muitas que arrastamos pela vida afora.

Representa um problema profundo de auto regulação.

A preguiça toma conta, e a consciência do dever ou da obrigação, diante de um prazo a ser cumprido, pouco importa nesse momento. Um misto de ansiedade, angústia e sonolência: Ansiedade do que se espera que chegue, angústia do que não se faz para que se realize, e o sono da inércia. Trivalente, e acredite se quiser: prazeroso.

É como se na fantasia inconsciente, ao  ludibriar as interdições de um prazo de entrega, numa ordem de um “deves fazer agora”, algo que demandaria um roteiro planejado, num tempo disponível para se realizar o que tem a se fazer, se lançasse na experiência primitiva de um gozo total. Ou seja, procrastino e não me submeto à ordem do Outro, no caso, o Outro que me dita como, o que e o prazo.

Tenho que ressaltar a questão do “amanhã” no procrastinador, o que é deixado para o amanhã, coloca em aberto a possibilidade da realização num eminente futuro. O amanhã virá invariavelmente. Desenha-se aí o ciclo agudo da neurose.

Os procrastinadores dizem mentiras para si mesmos. Tais como, “Eu sinto que vou fazer melhor isso amanhã.  Ou “Eu trabalho melhor sob pressão.”  Mas, na verdade eles não fazem melhor no dia seguinte ou funcionam melhor sob pressão. Além disso, eles protegem o seu sentido de ser dizendo ”isso não é importante .”

Procrastinadores de verdade dizem a si mesmos cinco mentiras:
1.      Superestimam o tempo que lhes resta para executar tarefas.
2.      Subestimam o tempo necessário para completar essas tarefas.
3.      Eles superestimam o nível de motivação que eles vão sentir no dia seguinte, na próxima semana, no mês que vem..–sempre que eles estão adicionando novas coisas pra fazer.
4.      Equivocadamente pensam que para executar uma tarefa exige que eles se sintam animados a fazê-la.
5.      Eles erradamente acreditam que trabalhar quando não estão no clima não será produtivo.
Procrastinadores também ativamente procuram distrações, especialmente aqueles sem comprometimento.
O segredinho sujo é que procrastinadores se distraem como uma forma de regular as suas próprias emoções, como o medo do fracasso.  Ou do sucesso.
Estratégias para reduzir a procrastinação:
1.      Faça uma lista de tudo o que você tem que fazer.
2.      Defina metas realistas.
3.      Divida em tarefas específicas.
4.      Faça a sua tarefa ser significativa realista.
5.      Elimine tarefas que nunca planeja fazer. Seja honesto!
6.      Estime sinceramente a quantidade de tempo que você acha que vai levá-lo a concluir uma tarefa. Em seguida, aumente esse tempo em 100%.

Os procrastinadores são feitos, são formados por vivência familiar extremamente rígida ou complacente e permissiva, quando não vivenciada as duas situações. A boa notícia é que se foi aprendido, pode ser desaprendido. A má notícia é que, ainda que seja possível mudar, é preciso muita determinação e energia psíquica para mudar, um verdadeiro interessem em se assumir e responsabilizar-se.

Nossas maiores barreiras são invisíveis, estão, em nossas crenças inadequadas a respeito de nós mesmos. É o pensamento negativo, a falta de vontade, a procrastinação, a vitimização, a falta de coragem e a supremacia do medo. E tudo isso está dentro de nós. Podemos até ter a doença, mas nesse sentido, somos também nossa única fonte de cura. Não seja refém de si mesmo.

Sirlene O Sousa

Psicanalista e Psicoterapeuta
 @terapiaintegrativabr



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