O QUE FAZER com a RAIVA?
Lançar um novo olhar
para esse sentimento ajuda a trabalhar a felicidade dentro de nós.
O que fazer na hora da raiva?
É possível sentir raiva sem se culpar por isso? Em tempos de
autoconhecimento e, também, de muita demanda sobre esse assunto, tenho visto
muitos protestos contra a raiva.
A raiva é uma emoção primordial a todos nós, existe para nos
proteger, alertar, indignar e provocar uma ação que nos tire da zona de
estagnação. Em vez de relevar essa emoção, como tantas vezes somos orientados a
fazer, eu sugiro novas atitudes para aplicar na hora da raiva. Transforme sua
relação com ela; fique amigo dela, converse e, principalmente, faça perguntas
investigativas sobre essa emoção.
Pare para refletir:
Porque, do que ou de quem, você está com raiva?
Do que a sua raiva está te protegendo?
Que dor ela está encobrindo?
O que você está “engolindo” ou sufocando dentro de você, de
forma inconsciente?
É possível investigar a raiva sem achar que você não é mais
uma pessoa boa porque está sentindo isso. Permita que ela se expresse com
autorresponsabilidade, para encontrar as respostas necessárias.
Por trás da raiva existe um potencial de amor que precisa
germinar. Para isso, entretanto, precisamos aprender a olhar para nossas emoções
com neutralidade, munidos de um olhar investigativo e sem julgar se é certo ou
errado o que sentimos. Devemos aceitar que somos luz e sombra, e que o processo
de transformação para o amor não pode ser vivido com falsa espiritualidade ou
falsa felicidade.
O QUE HÁ POR TRÁS DA RAIVA?
Se você sente raiva, reconheça e deixe que ela se expresse,
mas sem ferir o outro. Vestir a máscara do bonzinho para não sentir ou
reconhecer a raiva só vai retardar o processo para se expressar com verdade e
sinceridade, elementos fundamentais para a boa convivência e os bons
relacionamentos.
O QUE FAZER NA HORA DA RAIVA?
Como se trata de uma emoção, ela vem como uma onda.
Durante esse momento, seria bom observar e evitar discutir, assim não ferimos o
outro e não corremos o risco de nos arrependermos depois por ações impensadas. Eu
indico comunicar a outra pessoa que você está com muita raiva e que precisa se
acalmar antes de continuar. Para se acalmar, o ideal é fazer algumas
respirações conscientes em silêncio e sozinho.
Se você é uma pessoa que costuma engolir a raiva,
sugiro que, ao se acalmar, faça o exercício de falar o que está sentindo.
Assim, você começa a vencer essa dificuldade aos poucos com sentimentos de
raiva menos intensas, para mais à frente lidar melhor com as de maior
intensidade.
Depois de se acalmar, é muito importante fazer o exercício
da retrospectiva. Você pode se sentar com olhos fechados e refazer a cena, mas
agora como observador de você mesmo e do outro. Durante o exercício, perceba
qual foi o momento que a raiva apareceu, o que disseram ou fizeram para que ela
disparasse, que sentimentos você sentiu e o que te fez se sentir ameaçado. Ao
observar a cena com imparcialidade, poderá reconhecer a emoção por trás e então
reintegrar esse sentimento. Esse exercício ajuda a sair do modo reativo nas
próximas ocorrências.
Geralmente, a dor por trás da raiva está relacionada com
dores da nossa infância. Procure encontrar semelhança do fato ocorrido na vida
atual com situações que te machucaram na infância. Ao reconhecer a relação,
procure dizer para você no presente: “Isso está no meu passado, não preciso
mais reeditar essa história. Eu escolho perdoar e deixar ir, não preciso mais
recriar essas circunstâncias”.
PARA ONDE VAI A RAIVA QUANDO A SILENCIAMOS?
Conforme os exercícios forem se tornando frequentes, você
poderá observar na sua vida as situações com um pouco mais de distância,
clareza e leveza, sem necessariamente se identificar ou reagir projetando o
passado. No presente, sob uma perspectiva de reintegração, poderá perceber que
as circunstâncias da vida, que trazem essa lembrança, são apenas projeções e
que você de fato não está mais ameaçado, tornando-se livre do peso dessa dor.
Olhando para os fatos com imparcialidade e sem julgamentos
pessoais, você passa a descobrir novas experiências nas relações.
Sirlene O Sousa
Psicanalista, Psicoterapeuta e EFT
TERAPIA ONLINE
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