Superação
O conceito
não é só da psicanálise, mas a reflexão a respeito chama a atenção por ser
entendida como a capacidade de superação diante das adversidades, ou seja, não
desistir.
Há pessoas
com maior capacidade para superar situações difíceis ou as traumáticas, outras
menos capazes de resistir às agruras da vida. O exemplo e a educação recebida
dos pais tem papel importante nesta capacidade de superar os obstáculos que se
apresentam a cada momento durante toda a nossa vida.
Aquele que
teve exemplos nutritivos e saudáveis, quem foi educado para suportar e dar
conta das frustrações, tem maior capacidade de resistência, mais força de
superação. O dia que começa perdendo a hora, a prova que não foi realizada com
excelência, o trânsito parado, o assaltante que leva o celular, a pessoa do
outro lado da linha que nos deixa na musiquinha…
A vida nos
frustra o tempo todo e não tem como ficar irritado o tempo inteiro. Vida é
desafio, é mudança, é conquista e, sobretudo, é um diálogo franco e direto com
a realidade. Todos nós somos surpreendidos com momentos desagradáveis, e pais
desavisados se esquecem de que a criança precisa ser educada na frustração. Ela
tem de aprender a dar conta da falta, da incompletude, a vida não é completa. É
possível educar para a resiliência. A pessoa não nasce resiliente, aprende a
ser.
A
incapacidade para suportar a frustração numa sociedade de consumo só cria
problemas. É preciso dizer “não” e
fazer com que as crianças enfrentem limites. A função paterna e materna é não
afrouxar. E, se preciso, interditar o desejo. Criar uma situação só para dizer
não ao filho. Quem aprende com o aperto encara o mundo adverso, “não
vai temer as mudanças nem os desafios”.
Conforto não
é sinônimo de harmonia, assim como prazer não é sinônimo de felicidade. Sem
desconfortos e desprazeres estaríamos fortemente condicionados à estagnação. É sábio
avaliar as situações e colocar cada coisa em seu lugar e que o que nos parece
perda em um momento pode ser superado e sua experiência ser de grande valia, um
pouco mais à frente, e, tem coisas, que não vale a pena carregar, têm de ser
jogadas fora, superadas, para dar espaço a outras melhores.
Uma coisa é
não se preparar para a dificuldade da vida, que sofre e se enfurece, torna-se vítima
de si mesma; outra é a pessoa psiquicamente saudável, que tem capacidade de
adaptação, e trabalha com as frustrações com humor encarando-as como
oportunidades de sucesso futuro.
Se não for
educado para isso, pode aprender na análise, que ensina a pessoa a
aceitar as frustrações, a aceitá-la como natural. e é a melhor forma que tem de
amadurecimento psicoemocional.
“A alma não tem segredo que o
comportamento não revele” (Lao-Tsé)
Sirlene O Sousa
Psicanalista e Psicoterapeuta Integrativa, EFT

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