AUTO SABOTAGEM, ANSIEDADE, MELANCOLIA...
(Obra SALVADOR DALI - Cidade de gavetas)
Vivemos numa época de apologia ao
prazer, quem sofre é malvisto, considerado uma criatura fraca e vulnerável, e o
que fazemos? Empurramos tudo para dentro de uma caixa e fechamos
hermeticamente, até que um dia a caixa de Pandora se abre, e não é mais possível
esconder nossa dor e sofrimento.
A culpa é causadora
de muitos males, e influenciado por muitos fatores que nem mesmo sabemos quais
são; é um sentimento complexo. Pode ser experimentado como remorso, autocensura, e um sentimento de indignidade pessoal. No
entanto, ela nem sempre é consciente, apenas suas mazelas são “apreciadas”
conscientemente. Isto é, há uma acusação contra si mesmo, que gera desconforto,
mas sem nos darmos conta disso.
O que torna a culpa prejudicial é, precisamente, o fato de
que ela não é reconhecida, mas reprimida. No entanto, inconscientemente, essa
culpa retorna e se manifesta como autos
sabotagem, ansiedade, melancolia, depressão, somatizações diversas, e até
mesmo comportamento provocativo para se obter punição. Isso é mais do que
apenas um problema de “autoestima”. A culpa leva a autodestruição
psicoemocional.
A culpa (inconsciente) leva a uma rejeição persistente por
si mesmo. Nada que faz satisfaz completamente. É hipercrítico, controlador e perfeccionista, consigo mesmo, desmerece os seus pensamentos, sentimentos e ações. Muitas vezes, isso leva a estados
depressivos e a vidas com poucas conquistas.
A culpa é um sentimento complexo, no qual muitas variáveis
intervêm. Valores familiares, culturais, religiosos etc. (ou antivalores).
Alguém com uma educação muito conservadora, com episódios ocorridos durante a
infância e diante dos quais não tinham controle, pode pensar que seus
sentimentos e pensamentos são ruins ou inadequados, e que não deveria sentir porque
não seria uma pessoa boa, e em consequência, não teria a apreciação ou seria
punida. Às vezes, experimenta até mesmo a culpa inconsciente simplesmente pelo
fato de estarem vivos ou por existirem - “Se eu não tivesse nascido, talvez a minha
mãe teria sido mais feliz com o papai”. Outras vezes, a culpa aparece
porque a pessoa se sente diferente das outras de seu clã, por ter se destacado
mais, por ser mais ativa, criativa ou independente.
Sentir culpa e assumir a responsabilidade pelos erros são
duas realidades muito diferentes. A culpa
não consciente serve somente para deixar as pessoas doentes. Começa uma espiral
de autotorturas que leva apenas à deterioração psicológica. Assumir responsabilidade por algo ou por um comportamento que julga
inadequado é uma maneira consciente e adulta de avaliar o próprio comportamento
e, acima de tudo, de aceitá-lo.
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