O Destino e o INCONSCIENTE
O inconsciente arquiva todos os detalhes de nossa vida. O inconsciente
conhece muitíssimo mais de nossos desejos e intenções que o nosso consciente; e tem, portanto, muito mais influência sobre
nossas decisões do que podemos imaginar.
O TEMPO NA MEMÓRIA INCONSCIENTE
– ÉPOCA INFANTIL –
Tem-se comprovado que a lembrança pode se referir, inclusive, àquelas sensações
que se tiveram quando criança de colo; mesmo não tendo uma compreensão sobre os
fatos, mas as sensações estão armazenadas, arquivadas no inconsciente. É importante,
sem dúvida, constatar que o nosso inconsciente lembra coisas que conhecemos
quando ainda não tínhamos uso da razão. Atualmente se discute e se estuda a
possibilidade, inclusive, de memórias intrauterina.
O inconsciente lembra-se do que só ouviu em tenra idade. É
um tipo de “não percebido”, já que
as criancinhas “não prestam atenção”, estão absortas em suas brincadeiras, mas
o inconsciente está sempre a apreender e reter informações, mesmo que não lhes
faça sentido, naquele momento.
As memórias inconscientes são arquivadas e mantidas até à morte.
Como é sabido, é precisamente nos moribundos que o inconsciente parece aflorar
mais, surgindo lembranças “até dos primeiros anos de vida”.
Os idosos,
com frequência, lembram até conscientemente os seus primeiros anos, a sua
infância, a sua juventude, e continuamente falam deles.
São muitos
os casos em que pessoas muito idosas manifestam de repente, por qualquer
associação inconsciente, lembranças tão antigas, tão esquecidas pelo
consciente, que ninguém as reconhece como lembranças, dando origem a
interpretações às vezes supersticiosas.
Desde a infância até a velhice parece que o tempo não afeta
a memória do inconsciente. As situações acontecidas em estado de consciência,
sejam elas objetivas, subjetivas ou fantasiosas, arquivam-se indefinidamente no
inconsciente, permeadas e coloridas das mesmas sensações emocionais ocorridas
naquele momento. Sejam elas reais ou fantasiadas devido à tenra idade ou a
falta de interpretação adequada à época de sua introjeção.
A princípio, a
memória não esquece nada e tudo o que impressiona nossos sentidos permanece
fixado no inconsciente. Nenhum vestígio de nossa trajetória se apaga ou se
perde. O inconsciente não faz julgamentos, não é emocional ou mesmo faz alguma
interpretação dos acontecimentos. Ele apenas os arquiva, os guarda como pedra
bruta a ser lapidada pelo consciente.
Não é possível provar experimentalmente que não se esquece
absolutamente nada, porém, em todo caso, se tivéssemos que conceber que talvez
possa se apagar alguma coisa da nossa memória inconsciente, o fato indiscutível
é que o inconsciente arquiva muito mais do que se poderia suspeitar.
Profundos desarranjos surgem de fragmentos de lembranças não
elaborados dando origem a desequilíbrios emocionais, repetição de forma
pensamento de familiares, com repetição de padrões de comportamento dos quais
não se tem a menor ideia do motivo; graves traumas físicos ou psíquicos, fobias,
assim como doença físicas, acidente inexplicáveis, perdas financeira e de
relacionamentos, desgraças, medos, comportamentos prejudiciais a si mesmo e aos
outros, e tantas coisas que nos assombram e nem imaginamos, de forma
consciente, o motivo de tais desarranjos.
Porém, esta zona
profunda e obscura de nós mesmos, que não vemos, nem mesmo se a procurarmos com
afinco, e olharmos para ela, caso se faça necessário, as lembranças reprimidas emergirão,
porque as circunstâncias o exigem, e pelas associações de ideias inconscientes,
procuramos dar sentido a algo, e reclamamos tais lembranças em arquivos
submersos no inconsciente para que possam, naquele momento nos apaziguar e dar
sentido a algo sem sentido algum.
Às vezes é bem longo o tempo empregado pelo arquivista, até
encontrar a lembrança que procura para obter dados preciosos para a
reconstituição de fatos que o auxiliem em sua compreensão consciente, em sua
libertação, no seu desenvolvimento, e, na resolução de destemperos emocionais,
físicos ou psíquicos.
Assim é a ação do inconsciente
sobre nossas vidas. A “MEMÓRIA OCULTA” a
lembrança sem lembrança. Poderíamos dizer que é a memória sem aparecer como
tal, sem se saber que se trata de lembranças, é apenas uma reação emocional, sem uma verdade que possa satisfazer
na realidade a reação a determinado evento.
“Até você se tornar consciente, o
inconsciente irá dirigir sua vida e você vai chamá-lo de destino” (C.
G. Jung).
Sirlene O Sousa
Psicanalista, Psicoterapeuta e EFT
62 - 9 85877335

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