Você sabe de qual maneira a Síndrome do Pânico acontece no seu cérebro?
As crises da Síndrome do Pânico acontecem na parte emocional
do cérebro, e não ocorrem de repente. Algo acontece em partes mais profundas do
cérebro. Tem todo um preparativo anterior, não percebido, que desencadeia o
processo de Pânico.
Nosso inconsciente é muito hábil em detectar situações, não
percebidas conscientemente por nossa parte racional, mas que o inconsciente
captou e ativou em nossas reações. A Amígdala cerebral no hipocampo (ou emocional),
é responsável por sentimentos, sensações e emoções e está sempre alerta, não
dorme nunca. Funciona como um radar
de situações que nos pode afetar, ou que possa afetar nossa segurança. Essa
pequena parte de nosso cérebro ativa ações neurofisiológicas no momento do
perigo.
De acordo com suas experiências, seu histórico de vida, desde
a concepção, muitas informações ficaram armazenadas no inconsciente e elas
podem ser disparadas por situações semelhantes, ou nem tanto, apenas que
lembre, emocionalmente, aquela sensação primária registrada. Muitas experiências
que estão além da lembrança, compreensão, ou consciência, podem ser disparadas.
Desta forma, há um disparo de todos os Neuro-hormônios como
a Adrenalina, Noradrenalina e Cortisol, para mobilizar a fuga; todo o corpo
fica pronto para fugir daquela situação que poderá causar consequências drásticas
para própria segurança, ou integridade. A Amigdala envia sinal para várias
partes do corpo, detectando algo como muito perigoso, de acordo com sua
interpretação inconsciente que vem das experiências que você passou desde o
útero até o momento presente, na tentativa de preservar sua vida.
Essa descarga é a responsável pelas Síndromes. É uma resposta
bioquímica do corpo. O medo torna-se exacerbado e sem controle. Os efeitos
físicos são frequentes, a pressão fica alterada, a sensação de morte iminente,
sudorese, tontura, etc, porém, passam em alguns minutos, quando administradas
corretamente.
Uma situação corriqueira, pode por paridade, acionar mecanismos
que iniciam com um medo leve, e conforme vai dando força para os pensamentos de
medo, mais medo vai se juntar ao medo, vem a Ansiedade incontrolável e aparece o
Pânico – um medo enorme, injustificado para aquela situação específica; quando
repensada posteriormente. Depois de um tempo, o simples fato de pensar no medo
de ter nova crise, começa a pensar mais medo, e mais medo e aí começa a mandar
sinal de perigo, e os Neuro-hormônios são disparados para proteção e aí entra de
novo na Crise.
É um sistema de alarme “desregulado” que funciona por
qualquer situação sentida como perigosa, um perigo de morte, que pode ter várias
formas, humilhação, impotência, perdas diversas ou mesmo a própria vida – irreal,
porém, está pensando em um único sentido... sobreviva. A Amígdala foi treinada
para isso de forma inconsciente, e atua de forma inconsciente, quando se
percebe, está alterado com sintomas físicos e neste momento o perigo torna-se
real, o inconsciente está ativo e a consciência lógica se submete.
A única coisa que NÃO
se pode fazer neste momento é dar força para o medo, ou seja, sentir mais medo.
Quanto mais medo você sente, mais autoriza (inconscientemente) essa parte do
seu cérebro a ativar mais bioquímica, e mais medo você sentirá, é a Síndrome do
Pânico.
A crise do Pânico é o
Medo de ter medo. Explorar as causas profundas, no inconsciente, é
fundamental para não permitir que o ocorrido a muito tempo, nas suas raízes
emocionais, domine sua vida no momento presente, porque o inconsciente está
sempre ativo, na intenção prévia de preservar nossa integridade física e
emocional.
Entender como equilibrar (a bioquímica) e ter autocontrole
para conseguir gerenciar os medos e consequentemente os sintomas de Pânico e
Ansiedade, é o primeiro passo para diminuir os efeitos devastadores. É fundamental
a exploração das raízes mais profundas para que não ocorram novamente. Explorar
o inconsciente, as lembranças, as crenças limitantes, os traumas e fobias.
E como explorar a real raiz, o gatilho que dispara o medo
por trás desse sintoma?
É através de processos psicoterapêuticos a forma mais eficaz de acabar com a
Síndrome. Reconhecer os gatilhos
inconscientes e os padrões de pensamentos, é um dos maiores passos no
caminho para vencer a Síndrome do Pânico e da Ansiedade.
Sirlene O. Sousa
Psicanalista, Psicoterapeuta e Terapeuta
EFT

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