INVEJA!


    “Somos todos condenados aos sentimentos mais baixos e sórdidos” (J.P.Sartre).

A inveja esconde a falta de convívio com os próprios fracassos. Esconde a dificuldade de pensar e de ver; é fruto da falta de conhecimento de seus potenciais, de conhecer-se e se respeitar como indivíduo capaz e potente, apenas diferente.
A inveja é a chave para superar a si próprio, é o veneno que cura a doença. Onde observar alguém que tem algo que cause tristeza da alegria ou contentamento alheio, e o desejo de destruição dessa bênção que é do outro, que não é sua, este será o lugar, essa será a chave de Ouro, o caminho correto na observação de onde e porque, se imagina ter fracassado e o outro ter tido sucesso, e desta forma atingir o conhecimento de si próprio, seus potenciais latentes não utilizados ou utilizados de forma inadequada.
Conhecer defeitos, decisões inadequadas que levaram a perdas e a não finalização de projetos, é o que não se deseja ver de si mesmo, porém realça, fortalece a conquista do outro, é vista como fácil, de sorte, ou vinda de modo furtivo, tendo diante de si, o próprio, fracasso permanente.
Ao invés de tornar-se humilde, ao invés de tornar-se senhor de si, como um ser incompleto cujo caminho está a caminhar, a dor é tamanha por essa incompletude que prefere apelar a uma espécie de ópio, de achar que o problema não está em si, mas no Outro mau, que no mínimo lhe tirou a chance de fazer, ou tem aquilo que lhe pertence; e esse ópio o nome mais genérico é INVEJA, paralisa e persegue, causando muito sofrimento.
Aquele que sabe de si, seus limites, suas dificuldades e possibilidades tem mais habilidade para lidar com as coisas da vida, percebe-se incompleto naquilo que ainda não é, e a partir de não ser, aprende o caminho do ser suficiente.
O Outro é o grande espelho de todos os desejos e fantasias de nós mesmos, mas como todo espelho estará refletindo o avesso, está invertido.

 O Outro constituído no discurso do Inconsciente, equivale à promessa invertida de sua própria promessa esquecida”. (J. J. Lacan).

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