Depressão:
A depressão tem alto impacto na vida da pessoa e de seus familiares, com significativo comprometimento nos aspectos sociais, ocupacionais e em outras áreas de funcionamento. Podem ser observados os seguintes sintomas principais:
a.  Humor deprimido,
b. Perda de interesse ou prazer; e,
c.  Energia reduzida,
d. Concentração e atenção assim como autoestima e autoconfiança reduzidas,

O humor depressivo varia pouco de dia para dia, ou segundo as circunstâncias, e, pode vir associado aos sintomas ditos “somáticos”. A depressão é um movimento no psiquismo que configura uma ausência de sentido, um esvaziamento. A ausência de um Outro a quem amar, querer e depender, e de si mesmo. Estado da mais absoluta solidão.

A depressão é um afeto complexo, que não pode ser reduzido a um conjunto de sintomas, mas que necessita ser compreendido como uma denúncia do sujeito frente ao mundo, ao tempo do mundo e ao seu próprio psiquismo. Um afeto que pode ser o resultado de estar num mundo desconhecido, velozmente mutante, onde os vínculos sociais são frágeis para sustentar a troca e a experiência com o outro, empobrecendo a subjetividade e que talvez não tenha que ser suprimido pela via medicamentosa, mas suportado, aprendido a ser suportado como característica de um tempo. Um tempo DE PRESSÃO e de PRESSA.

Há uma íntima relação entre os processos do pensamento e das emoções, um não ocorre desvinculado do outro, existirá sempre um fluxo de mão dupla. Para cada pensamento haverá a geração de uma sensação, de um sentimento, de um afeto, que por sua vez, irá, com certeza, gerar novas emoções, e assim sucessivamente. Lembranças, emoções e sensações de lembranças não lembradas, de um tempo onde os sonhos e as fantasias eram soberanos; um tempo do faz-de-conta; o tempo do “quando eu crescer..., quando eu for grande...”, o medo infantil de algo não compreendido, assimilado de forma inadequada, palavras, cujo significado aterrorizante ainda traz suas marcas no inconsciente.

Para a Psicanálise, a depressão é o empobrecimento da vida psíquica que resulta numa sensação de perda de sentido da vida como um todo. Podemos repensar a depressão como parte desse tempo e compreendê-la na tentativa de elaborá-la, ao invés de tentar inutilmente suprimir seus sintomas.
Somente através do reconhecimento e da aceitação do sofrer, podemos conhecer os limites, desejos e atuar sobre o sintoma. É através do reconhecimento dos fantasmas que assombram nossas vidas é que poderemos, de alguma forma, eliminá-los; se não os conhecermos daremos a eles mais força, em fantasia, e eles acabaram por dominar nossos dias e noites.

É uma tarefa multidisciplinar, onde, a intervenção medicamentosa, da psiquiatria, e a psicoterapia que irão auxiliar no processo de reconhecimento do si mesmo e na elaboração do sofrimento e das causas que contribuíram para seu ensimesmamento e consequentemente levaram a uma patologia.


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