Depressão 2

Só para se ter a dimensão desse mal que assola o mundo, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a depressão afeta mais de 350 milhões de pessoas em todo o mundo. Desse total, a grande maioria é de mulheres.
No Brasil, a estimativa é de que a cada 10 pessoas, pelo menos uma sofra com depressão.
Por gerações se criou “o estigma sobre a saúde mental”, acredita-se que homens têm que resistir a tudo, serem “fortes”, que não precisam de ajuda! Que DEPRESSÃO em mulheres é frescura, coisa de gente mimada, uma forma de chamar atenção. Essa enfermidade emocional é silenciosa e, às vezes, nem mesmo com sofre com depressão percebe isso durante um bom tempo.

Não podemos confundir depressão com tristeza profunda que é justificada. A tristeza, ou frustração pela perda de algo ou alguém querido, por morte ou abandono, a perda do emprego, a separação de alguém, nos causa tristeza justificada.  A Depressão se distingue da tristeza pela duração de seus sintomas e pelo contexto em que ocorre. Trata-se de uma experiência cotidiana associada a várias sensações de sofrimento psíquico e físico e que pode impedir que a pessoa realize suas atividades cotidianos a contento, e, atrapalha nos relacionamentos. A Depressão não tem causa definida, é algo que sufoca. A Depressão tira a capacidade de a pessoa se reinventar, é uma companhia constante, desde sempre, sem que se tenha uma causa justificável para tal sentimento ou ter a mais vaga ideia de quando teve inicio.

Ao contrário do que a maioria de nós imagina, nem todo mundo que sofre com a depressão deixa transparecer seus sentimentos no rosto. Podemos ver que muitas pessoas, apesar de uma vida produtiva, ativa, sorridente em fotos nas redes sociais, bem posicionadas socialmente, famosas, de repente cometem atos que nos chama atenção, e ficamos chocados com a atitude da pessoa.

Para a Psicanálise, a depressão é o empobrecimento da vida psíquica que resulta numa sensação de perda de sentido da vida como um todo. Podemos repensar a depressão como parte desse tempo e compreendê-la na tentativa de elaborá-la, ao invés de tentar inutilmente suprimir seus sintomas. Diagnosticar e traçar a linha que separa a normalidade da patologia é sempre uma dificuldade e no meio disso tudo existe a estigmatização da doença. Ela não tem uma causa ou características únicas e atinge as pessoas de modos diferente. Não existem testes laboratoriais que possam fazer um diagnóstico que possa nos dizer se a tristeza se transformará em depressão. O único jeito é observar a si mesmo.

"O oposto da depressão não é a felicidade, mas a vitalidade” - Andrew Solomon
Se se sente deprimido, não tente enfrentar a situação sozinho. Naturalmente que há depressões que se curam espontaneamente. Mas também é provável que surjam de novo após um período de tempo muito imprevisível. Por isso, a atitude mais prudente é a de procurar quanto antes ajuda especializada.
Sirlene O. Sousa
sirlene@terapiaintegrativa.com.br

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